Miniconto 147* - Aspiração
- Gessica Borges
- Minicontos
- March 17, 2014
Acompanhava a morte do sol todas as tardes com veemente empatia.
Acompanhava a morte do sol todas as tardes com veemente empatia.
Aqui onde A mulher preta tampa O rosto, a cor, a alma Com base branca Onde são quatro Os filhos da moça Dois descalços Dois sem touca Na cinza manhã fria O orelhão ainda é Uma ponte pra Bahia Aqui onde Sente como uma mocinha! Preto não sai da linha Que a senhora tricota Com o cerne entristecido Aqui onde O homem vende espetinho Alheio aos direitos dos bichos E dos humanos O chicote estrala na viela O soco cala a boca dela Eles invadem Sem mandado, sem sequela E eu sou livre Para cobiçar o pulo Da plataforma de ferro acobreado Aqui onde todo dia é 64 E nada está nos trilhos.
Read MoreNão acreditava em duendes do amor até o dia em que se apaixonou por um anão.
Read More