Domingo de Páscoa

Assim que ela fechou os olhos, ele trouxe a caixa à frente do corpo, ajeitou um sorriso superbranco no rosto e disse :

— P… pode olhar.

A primeira coisa que ela viu foi o contraste da embalagem com a pele escura do cavalheiro, depois seu olhar contente. Pulou no pescoço dele, com um entusiasmo inocente.

Antes mesmo de devorar o conteúdo da caixa, ainda empolgada com o acontecimento, decidiu tatuar o vício antigo e o novo: um chocolate branco ao lado do rosto do Marcelo Negão. Ficou lindo na pele.

Na volta para a casa, contando os minutos para o encontro com o presente, começou a ler as recomendações de cuidados para a nova tattoo.

A segunda linha saltou aos olhos e afundou o estômago:

“Não ingerir: alimentos derivados do cacau.”

Era domingo de Páscoa.

Related Posts

Miniconto 126* - Faro(este)

Dia após dia, os minutos passavam; machões, sujos e trôpegos, esbarrando nela com a ponta de uma faca.

Read More

Miniconto 159* - Ritual

À noite, antes de deitarem juntos, sempre tomava banho e colocava uma calcinha limpa e sequinha, apenas para molhá-la de novo minutos depois

Read More

Miniconto 90* - Next!

Tinha tantos romances na internet, que implantou um F5 no próprio coração.

Read More