Confessionário 1 - Adotando livros

Ok, essa é a nova tag do blog. Veio na minha cabeça, depois que o assunto #twittesuainfancia bombou no twitter. Aí pronto. Comecei a lembrar das maluquices que fazia e surgiu esse primeiro texto.

Recentemente, o twittero @RapaduraMan postou coisas que ele aprontava quando menor, com a hashtag #crimesdeinfancia

POPUP: Hashtag é, basicamente, um link que “identifica” sobre o que o seu post se trata, isso facilita a pesquisa de interesses e assuntos relevantes, e serve como forma de ranquear os melhores papos.

Foi o sopro que faltava para que eu iniciasse essa “série” por aqui.

Identifiquem-se, revoltem-se, divirtam-se, mas o mais importante: leiam.

Enfim?

Eu roubava livros da biblioteca da escola.

É isso mesmo, e quase chego a me orgulhar disso, e explico:

A Biblioteca da minha antiga escola não era bem assim…uma biblioteca. Era uma sala totalmente desorganizada e esquecida, em que se amontoavam os melhores escritores do século, apertados e perdidos no que deveria ser uma forma de divulgar cultura.

Olha o que diz em um dos livros que peguei:

“Este livro faz parte do acervo do Programa Nacional Biblioteca da Escola, composto por diversas obras literárias. Eles foram encaminhados a sua escola com o objetivo de garantir a vocês, alunos, alunas, professores, professoras, e demais profissionais da escola, o acesso à cultura, à informação, estimulando a leitura …”

Aquilo, definitivamente não era “uma forma de garantir acesso à cultura informação e estímulo à leitura.” Aquilo era é uma forma de juntar ratos e baratas e, muitas vezes, um esconderijo para os casais mais assanhadinhos ºO

Então, eu resolvi “divulgar a cultura” por mim mesma (depois de ter me oferecido várias vezes para organizar a biblioteca e até ter tentado, uma vez). E aposto que faço direitinho o trabalho que o Ministério da Educação deveria fazer.

Ok, se a minha mãe lesse esse post, ela diria:

— Não interessa se a biblioteca funcionava ou não! Os livros não são seus, então você não pode pegar!

Hmmm, é. Ou não. Acontece que, já naquela época, era ela quem se matava para trabalhar, garantindo o meu sustento. E 4 meses desse trabalho já iam para o governo! Que deveria destinar uma parte desses impostos pagos num programa de acesso à cultura que realmente ajude o povo a ser menos cabeça dura, e não que tranque numa sala de 4m² um montoeira de livros, implorando para serem usados ;) #drama.

Então, foi assim que eu conheci Machado de Assis, Franz Kafka, Marcos Rey e Pedro Bandeira. Foi assim que eu consegui uma fileira de livros do que viria a ser (e está se tornando!) a minha coleção de títulos.

E eu empresto pra qualquer um que tenha o mínimo de cuidado.

Como “roubar” é uma palavra forte demais (hehe), eu digo que adotei os livros :D

Porque era disso que eles precisavam, de alguém que lhes tratasse com cuidado e ouvisse o que tinham pra falar.

Esse post tem quase um cunho político, foi sem querer, mas se tiver que ser, então …

Hoje, sempre que posso, doo livros para uma biblioteca em Santo Amaro, de coração, porque ela é uma biblioteca viva. Amém, forever.

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