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~ALERTA DE TEXTÃO~ Não, eu não tenho Facebook.

— Como assim você não tem Facebook?

Assim. Não tendo. Não querendo. Não gostando.

Obviamente, não decidi isso do nada. Por uns dois ou três anos estive exatamente como o resto da humanidade: logada naquela página horas por dia, passeando por perfis do primo-da-vizinha-da-menina-que-tem-uma-amiga-que-estuda-comigo.

Não era legal. O tempo passava e aquele monte de fotos, status, blá blá blá de pessoas desesperadas por se autoafirmarem esquerdistas, niilistas, patriotas, revoltadas, #focoforçaefé e etc. começou a minar minha capacidade de discernimento.

De repente eu estava julgando todo mundo em silêncio.

Daí eu caí na real sobre como aquilo ali, uma simples (sorry, Mark) página de internet, alterava absurdamente o comportamento das pessoas.

“Você viu quem a Juana tá namorando? Ela postou ontem uma foto.”
“Pelo que o Juão têm postado no Face, tá mesmo querendo emagrecer”

“Postar” virou sinônimo de “existir”. E eu me assustei como quanto eu me engrenei nessa rede. Não era (nem sou) do tipo polêmica, mas nos bastidores eu corria por perfis, páginas, comentários, fotos de pessoas as quais não tinha o menor vínculo e nem, supostamente, interesse.

Ué, mas a ideia não é essa? Conhecer gente diferente?

Hmmmmm, é, mahomeno. Mas quantas pessoas diferentes a gente realmente CONHECE no Face?

Não falo de adicionar e falar no chat por um dia, ou fuçar o perfil até dar dor nas costas. Eu falo sobre conhecer. De verdade. Fazer realmente um amigo.

Eu realmente acredito em fazer amizades e conhecer gente pela internet (namoro um carioca por causa disso, yay o/), mas percebo que esse objetivo não é nem de longe um dos mais visados por lá.

Assim como outras (e maybe, qualquer) rede social, o Facebook é um lugar de aparências.

Aí partimos para os 3 motivos práticos pelos quais eu não tenho Facebook:

1) O Facebook é um bicho malvado que engole as pessoas.

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Você entra pra ver se tem alguma atualização na sua página. Uma hora depois e você está lendo/vendo/procrastinando com, como minha mãe diria, necas de pitibiribas. Nem adianta mentir e se enganar, é assim mesmo.

2) O Facebook afasta as pessoas.

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Simples: no ano que eu saí do Facebook, apenas um, UM amigo lembrou do meu aniversário. Dos 300 e poucos que eu tinha por lá. =D Não é só questão de recalque.

Se você não curte o post/foto ou sei lá mais o quê de alguém, isto é motivo pra estranhamentos e climas esquisitos.

Qual foi a última vez que você viu aquele amigo do Face que você vive dizendo “a gente precisa se ver! Que saudade!”? Não vale mentir.

3) O Facebook tem funcionalidades não-funcionais att all e um algoritmo malvado que te faz de idiota pois lidera as suas leituras. 

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Você pode montar um álbum pra cada cerveja que tomar no bar com amigos (e eu nem bebo).

Pode escrever um texto de 63.206 caracteres (!) para falar que odeia a Dilma (por isso adoro o Twitter e os singelos 140 ♥).

Pode (e acho essa função tão tosca que nem sei como comentar) dizer através de um texto pré-determinado que “está se sentindo/triste/feliz/sozinho/o raio que o parta”.

ISSO É SUCKS TOTAL.

Além disso, mesmo tendo anunciado uma “otimização” do algoritmo afim de aumentar a qualidade do conteúdo compartilhado na rede, na prática, tudo que eu escuto de amigos que tem Facebook se resume a: 1 não tem nada de interessante 2 tô de saco cheio daquela timeline 3 só não saio pra não perder contato com a família.

Então, né?

— Nossa, mas uma publicitária sem Facebook?

A única coisa que perco não estando lá é mais chance de autopromoção. Qualquer novidade da rede enquanto ferramenta eu posso acompanhar nos sites que já costumo visitar sobre mídias sociais e afins. Pronto. Tá resolvido.

Uma coisa que é importante: esse texto não é exatamente anti-Facebook. Só achei que, como aqui é um blog pessoal, seria importante registrar esse momento histórico da minha vida, onde sou parte uma extradigirrestre 😉

E viva à liberdade!

Update 30.06.2015: Tive que voltar para o FB para gerenciar a página do novo emprego, Deus me ajude 🙁

Sou

Resgatando mais um poema da poeira nos meus papéis …
_

Nada mais que a importância
Dessa insignificância
Que recobre o meu ser
Sou o não entender nada
Disso que vive em mim

Essa pele que reveste
Este corpo que me assola
Nessa mente que vigora
No espírito que outrora
Não foi de ninguém

Esse rosto que abriga
Esses olhos que envoltam
Essa íris distorcida
Dessa visão distinta
Do nada que nunca foi

Essas mãos desesperadas
Nessa busca retratada
Nesses versos sufocantes
Essas voltas tão errantes
Que descobrem-se amantes
Da matéria esquisita: Eu.

Sou o que fui, e o que serei
Mas nunca o que já sou
Nesse contrato vitalício
Dessa mutante arte de redescobrir-me
É que se encaixa a minha existência

Essa sou.

Escrito em 15/07/2008 ( 14:58pm)