Diz para ela

Volta lá e diz para ela parar de ser besta. Que esse negócio de ser feliz para sempre com um homem é exercício utópico e que nunquinha funciona na real. O negócio é ser feliz agora. Aliás, ela é livre para escolher homem, mulher, o que ela quiser, viu? Só para deixar claro.

Diz para ela parar de se comparar com as garotas brancas da escola, que o nome desse complexo de inferioridade é racismo, e que essa busca por ser diferentona através do rock não vai dar em nada se ela não parar e olhar para si mesma, de verdade. Sem vergonha do corpo, cabelo, cor, trejeito.

Outra coisa: já passou da hora de deixar de ser trouxa. Não importa se o cara é superdotado e descoladão. Não se sente confortável para falar? Tá na hora de cair fora. Faz ela sentir que nunca pode ser feliz com outra pessoa? Cai fora. Quanto mais machuca, mais ela quer ficar? Fora. Se diz entendido das mulheres, mas não dá prazer? Fo-ra. Tem muita gente no mundo para gastar energia.

Chega! Acabou a invejinha da gatinha branca classe média. Envolvida com artes e nerd de carteirinha meu ovo. Com papai pagando a HQ edição definitiva e mamãe fazendo comidinha gostosa para o jantar fica fácil ter tempo e cabeça para isso. Não adianta ela tentar explicar para boy porque sofre. Diz para ela que há mais o que fazer do que ficar recalcada com gente que usa a expressão “não sou tuas nega”.

Aliás, já que ela gosta das artes, cinema e livro tudo, pergunta se ela já ouviu falar do Jean Basquiat, da Ava DuVernay, e da Chimamanda Adichie, só para começar. Existe uma coisa chamada representatividade que vai mudar a vida dela. É tipo assim: superlegal assistir um filme bacana com o Morgan Freeman e tal, mesmo ele sendo quase sempre o clássico “Magical Negro”, mas quando ela experimentar ver Middle Of Nowhere, Faça a Coisa Certa, ou mesmo o “sessão da tarde” Waiting to Exhale láááá de mil novecentos e bolinha, nossa, aí ela vai ver o que é magia negra. Nada como fazer parte. O “Americanah” da Chimamanda vai causar a mesma sensação, com o bônus dos tapas na cara dos que gostam de cortar discurso de oprimido com a famigerada desculpa de exagero.

Com um pouquinho mais de autoconhecimento, menos blá blá blá de gente que nunca passou pela luta, e mais (bastante mais) de amor próprio, ela vai ficar bem, você vai ver. É tudo tão diferente quando a gente entende porque é e de onde vem! Dói para caralho. Dói mesmo. Mas a resistência compensa, eu juro.

Vai, volta lá e diz para ela parar de se culpar por não ser feliz.

Nota

Sobre tornar-se negra(o)

Ultimamente tenho refletido muito sobre o reflexo do racismo sobre mim: é, complicado. Até hoje, tenho sido considerada uma garota inteligente, dedicada e ~diferenciada~, em termos acadêmicos e profissionais. Sempre boa aluna, sempre “batalhadora”, a menina pobre e negra (mas não tão negra assim) que é forte, possui boa bagagem cultural, fala e escreve bem.

Tudo muito bom, até eu começar a me enxergar como uma mulher negra. Neusa Santos Souza explica esse processo no livro “Tornar-se negro” (1982), onde discorre sobre a complexidade emotiva de um sujeito negr@ em busca da identidade, no contexto (passado e atual) em que tudo é construído em cima de uma branquitude: os ideais profissionais (de sucesso na lógica capitalista, a quem ela serve?), os ideais de aparência (apenas digite “penteados profissionais” no Google e conte os crespos), e mesmo os ideais de comportamento (Postura fina! Elegância! Controle emocional! Quando isso é associado a negr@s?)

É um processo bastante doloroso e, também, confuso. Antes estava no tronco com roupa, agora estou pelada. Enxergo a minha cor sem forro, e tenho orgulho dela, mas o chicote dói mais. E a dor, às vezes, paralisa, o que por sua vez, gera mais angustia, e aí está formado o círculo de culpabilização de um negr@ em processo de descobrimento: além de não saber-se como parte da raça, e nem como indivíduo, há todo um contexto de depressão, ansiedade e angústia presentes que nos afastam de um cotidiano normal.

Sempre gostei de escrever e atualmente, que tenho produzido textos com frequência, uma coisa me enerva: eu quase não produzo textos ficcionais. É uma loucura porque ao mesmo tempo que acho um saco escrever sobre experiências e percepções pessoais, quando pego na caneta é só isso que vem à cabeça. Eu sou tragada pela minha própria realidade, luta, ansiedade. Isso quando simplesmente não consigo produzir em questão da insegurança, medo, questionamento e desgosto de ser quem eu sou.

E eu sou, como outros tantos negr@s, alguém que, mesmo com a sensibilidade e inteligência aguçada para o aprendizado desde pequena, sinto o peso de ter crescido em um ambiente familiar hostil e nada estimulante (criativamente), o peso de ter a autoestima ferida, inclusive por amigos, por não me encaixar no padrão estético e comportamental estruturalmente branco, o peso da dessemelhança na bagagem intelectual comparada a pessoas que tiveram o privilégio de melhores condições de estudo/intercâmbio/acesso à cultura, e também o peso de ser mulher: muitas vezes diminuída à importância de saber apenas o que é relacionado às tarefas domésticas e tendo que defender a minha propriedade intelectual frente a branc@s e machistas.

Não é fácil. É realmente pôr em cheque a minha capacidade, e pior: me deparar com a realidade de que, não importa aos outros como me sinto em relação a tudo isso ou se não tive dinheiro para me “equiparar profissionalmente” a colegas (meritocracia manda lembranças), importa o status. E o status já é considerado inferior desde a base. É preciso tomar muito cuidado (só que é sabe o quanto) para não se perder e desesperar nesse labirinto: o caminho é sempre complicado e a gente nunca sabe se realmente vai achar a saída, daí a sensação de impotência. Nesse caso, a afirmação da identidade negra e a consciência de questões relevantes como o machismo são, ao mesmo tempo, a luz e a sombra do caminho. Ora impulsiona pela ótica da resistência, ora retarda pela lógica da opressão.

Um dos agravantes da atuação é ser a exceção ao meio. Justamente por vivermos numa sociedade em que a ascensão social está diretamente ligada à clareza da pele, quanto mais eu cresço (econômica e intelectualmente) menos estou “entre os meus”. Na faculdade era exceção, nos empregos até hoje, idem, nos cursos extraclasse, também. É triste perceber uma presença tão pequena de negr@s em lugares mais diversos que apenas os postos de segurança, os balcões de serviços, os quartos homeopáticos de empregada nos apartamentos-casa-grande. Isso não é por acaso, mas eu demorei para entender o porquê e, apesar de ter “conseguido” fugir do status quo que a mim era designado como mulher preta, sou totalmente sensível e desperta de que não é por falta de vontade que outr@s não conseguem. Ter que lidar diariamente com o peso da cor é exaustivo. Não à toa, mulheres e homens, sem perceber, tentam se livrar da negritude (e, automaticamente, se adequar à lógica branca) das mais diversas formas: na vestimenta, na linguagem mais adequada à norma culta possível, na omissão em conversas com maioria branca, no hidróxido de sódio no cabelo (ou máquina zero).

Foi assim que eu entendi o real significado da gíria “fortalecer”. “Fortalece os irmão!”. Fortalecer é compartilhar da mesma dor, é dividir o peso da luta, é compensar (com uma conversa, com uma ajuda material, com compreensão) um ao outro por todo dano psicológico, social e econômico causado pela sociedade racista que, aliás, nega a culpa com indulgências do tipo “quem quer, consegue”, “fale menos e faça mais”, “você não conhece o Joaquim Barbosa?”.

Eu conheço o Joaquim Barbosa, mas não sou ele. Eu sou eu, sou mulher, sou única, e quero ter o direito de ser humana e sentir toda a minha humanidade como individuo, sem ignorar a consciência sobre as mazelas que afetam grande parte da minha raça. Não por frescura, não por complexo de inferioridade, mas por justiça, por igualdade efetiva frente à máscara branca, cisgênera, machista e de preconceito religioso que chamam de #somostodosiguais.

Estado

Eu não quero mais ser uma garota rock n’ roll

Eu sabia que não era a pessoa mais legítima do mundo quando tinha quinze anos.

Pudera, meus looks da escola eram um carnaval de estilos: peças floridas, camiseta de rock com jeans e coturno, calça pink com camiseta nerd. No dia que eu apareci com short e tênis de skatista e boné no cabelo, um amigo levantou as sobrancelhas e me disse: quem é você e o que fez com a minha amiga?!

Eu juro que não sabia a resposta.

Ansiosa por fazer parte, como (acho) é natural da idade, eu não me encontrava em lugar nenhum e pulei de galho em galho em busca do rótulo de autenticidade que, claro, não podia ser dado a mim por nenhum dos grupos que pertenci, senão por mim mesma.

Nessa época, um milagre (cof cof) chamado rock n’ roll aconteceu na minha vida, e eu até achei que tinha achado o meu lugar. A maior parte do grupinho da escola era roqueiro, incluindo a minha melhor amiga e o garoto por quem me apaixonei. Comprei coturno, uns trecos com spike, umas camisetas. Baixei uns CDs, pesquisei no Google sobre Metallica, Kiss, System of a Down. Fui ao show do Evanescence e até pendurei pôster do Slipknot e Green Day no meu quarto.

Foi bem louco.

Eu não sabia de verdade o que essas bandas significavam, não conhecia nem 50% do repertório de nenhuma delas (com exceção, talvez, de SOAD) e também não era uma fã inveterada. Mas integrar a roda e manter uma aparência ~diferentona~ era tão importante, que eu sustentei um disfarce, curtindo aqui e ali os nuances dele.

Os shows foram ótimos, eu chorei inúmeras vezes com “Beth”, “Always” e outras tantas. E, claro, escuto muitas bandas até hoje.

E daí que esses dias vi um cara no trem. Aparentava uns 40 anos, estava todo de preto, com camiseta do Iron Maiden. Eu me recordei nele e achei ridículo. Lembrei de quando eu achava que seria “roqueira” pra sempre, de quando eu achava superimportante afirmar uma identidade única, um estilo próprio, característico e marcante, porque seria ruim demais imaginar que eu “não tinha uma personalidade forte”. Muitas vezes, “personalidade forte” é um eufemismo para intolerância, preconceito e egoísmo. Faz o tipo de gente que sustenta o discurso “me ama ou me odeie” sem o menor senso de empatia.

Muita coisa mudou em dez anos.

Ter doado o coturno (que custou metade do meu salário na época!) foi um ato simbólico de quando eu caí na realidade que eu não precisava sustentar estilo nenhum, muito menos um que me representava tão pouco. Quando li o texto do Fred Di Giacomo sobre como o rock “nos fez ter vergonha da nossa cultura, dos nossos cabelos e dos nossos sotaques” foi ao mesmo tempo um orgasmo e um tapa na cara.

Todas os meus ídolos roqueiros eram brancos. Todas as roqueiras que eu admirava, idem. Isso ferrou com o meu amor-próprio de uma forma tão natural (ou melhor, estrutural) que óbvio, como a lógica racista pede, eu sabia, eu sa-bia, que nunca ia ser tão cool, atraente e bonita quanto aquelas pessoas. Simplesmente porque, não tem jeito (?!), todo mundo acha e sempre vai achar cabelão, rosto fino e pele de porcelana mais legal, não é?

NÃO É. NÃO TEM QUE SER.

Um som originalmente negro (diz aí, Chuck Berry!) que foi embranquecido, tornou-se conservador e arrogante, fechado num grupo chato de pseudo-elite-pseudo-intelectual. Aqui no Brasil ainda mais, com a questão da língua intrínseca. Que máximo saber cantar/falar inglês, quando a realidade é que apenas 5% dos brasileiros têm fluência na língua, né? NÃO É. No contexto em que vivemos, ninguém deveria ter vergonha de não compreender inglês. Essa vergonha tem muito de complexo de vira-lata.

Não me importar mais em me afirmar uma garota rock n’ roll para mim também significa a liberdade de ser a boa merda que eu quiser. A liberdade de conhecer outros sons que negligenciei por causa do rock, por causa da maldita baixa autoestima, insegurança e etc. que, claro, é irmã da adolescência, mas mais que isso: é filha primogênita do racismo.

Hoje eu escuto uma música como “To be Young, Gifted and Black” interpretada pela fucking Nina Simone e me sinto REPRESENTADA. Aquilo sim é sobre mim! É sobre os meus anseios como mulher negra! É sobre como muitos de nós [negros] nos sentimos. E foi uma preta maravilhosa que trouxe isso ao mundo, não é incrível? É.

A importância da representatividade até então, para mim, estava dissimulada de necessidade de pertencimento. Como e para quê pertencer a um grupo que não te representa? Obviamente, este é um processo totalmente ligado à formação de identidade e, por isso, leva tempo. Mas eu ainda vejo pessoas adultas numa luta ingrata por afirmação, por pertencimento, sem refletir sobre o que realmente condiz com a sua personalidade, origens, trajetória de vida, luta.

Se desligar de estereótipos vai além de liberdade, é também sobre empoderamento. É dizer para si mesmo (e para quem quiser ouvir): eu não quero me encaixar e apenas fazer parte, eu quero SER parte, quero sentir.

Eu não quero ser uma história única. (Thanks, Chimamanda.)

Estado

Minha Transiçao Política Capilar

Eu não comecei a alisar o meu cabelo porque queria ter o cabelo liso. Eu nunca achei o cabelo liso mais bonito que cabelo cacheado, nem quando eu era criança, nem adolescente, nem agora.

Isso é algo importante sobre a minha história capilar: eu era pirralha, mas tinha noção da minha cor de pele e tinha noção que meus cachos, de certa forma, me identificavam como pessoa.

Daí, quando eu comecei ir pra escola aos 7 anos, aconteceu uma mágica!

Uma mágica chamada “ensino fundamental de uma escola de periferia onde cabelo crespo é cabelo ruim”.

Isso, aliado ao fato de eu ter uma fada madrinha cabeleireira que me incentivou a começar o relaxamento pra “amaciar”, foi o start da minha vida quimicada.

Eu relaxei o cabelo a primeira vez (era isso que o produto, Hair Life, dizia – creme de relaxamento) porque era muito, muito difícil penteá-lo de manhã antes de ir pra escola. Como outras garotas de cabelo crespo, eu também não gostava dele muito cheio e muito menos do aspecto seco. O relaxamento soltava os cachos, facilitava o pentear e controlava o volume.

#tudocomportado

Se eu soubesse o trabalhão que ia dar pra retomar a minha textura natural – 12 anos depois de relaxar pela primeira vez – não teria aceitado a sugestão da minha madrinha. Mas naquela época ninguém (ou pouca gente) falava de negritude, de liberdade, de Black Power como moda (eca ¬¬), nem nenhum dos “incentivos” que hoje existem para que mulheres de todo tipo libertem-se dos padrões e descubram sua identidade, origem e beleza real (que, vale dizer, não deve ser ditada por ninguém).

Mesmo com o cabelo “bonito” (lê-se: com cachos perfeitinhos, outra merda que domina a cabeça das cacheadas, com o perdão do trocadilho), eu ainda usava muito ele preso, porque tinha vergonha do volume.

Meu penteado favorito. Sorry, amiguinhas 🙁

Depois dos 15/16 anos, comecei a admirar cabelos cacheados com volume. Eu via mulheres com black ou com o cabelão volumoso na rua e pensava: essa tem atitude. Aí comecei a tomar coragem pra usar o meu solto mais vezes também, e isso foi muito importante para o desfecho dessa história.

Colagem Transição 2

#vemnimimvolume

Eu até gostava do meu cabelo na adolescência. Tinha minhas brigas com ele, mas em geral gostava de como a química moldava os cachos e raramente tive problemas de ressecamento, queda e essas coisas. Ainda assim, o tratamento era chato e maldoso.

Eu comecei perto dos 10, parei aos 23. Era uma dependência química das bravas e, grazadeus, há algum tempo ,inspirada por uma amiga que também se livrou da química e por blogs de cacheadas não-anônimas (alguns links no final do post), comecei a minha saga ao resgate da minha identidade capilar (e étnica também).

Eu devo ter feito chapinha/escova umas 10 vezes nesses 13 anos (acho muito artificial, mas às vezes queria “uma cara diferente”, pff.), mas uma coisa eu digo: é chato. Dói. Queima. E, definitivamente, não é “mais fácil do que manter os cachos” como muitas meninas que alisam dizem. E, não, NÃO É PRECISO SOFRER PRA FICAR BONITA.

A pergunta que foi decisiva para eu tomar a decisão de entrar na transição foi: como é mesmo o meu cabelo natural?

Aí eu comecei a cortar e bingo: comecei a ouvir merda.

DSC01597

Primeiro corte rumo ao BC em Mar/2014

— Nossa, mas seu cabelo era tão lindo!

— Que você tá fazendo no seu cabelo?

— Por que você cortou tão curto?

— Depois de velha decidiu ter o cabelo ruim. (pasmem! :o)

— Mas você não passa nada pra controlar o volume?

— Nossa, mas na raiz ele é bem ruinzinho, né?

— Faz progressiva só pra soltar a raiz. (queria soltar minha mão na tua cara ¬¬)

— É moda agora usar assim, né? (NÃO, NÃO É! E você pode entender porque aqui)

São algumas das coisas que eu ouço de fevereiro de 2014 pra cá. Isso, plus olhares tortos, plus uma completa ignorância da importância do processo pra mim e outras garotas crespas/cacheadas, plus a minha própria insegurança e bingo: #tátendodificuldade, mas eu tenho certeza que vale a pena.

— Mas você é maluquinha mesmo!

Sou nada.

Maluquice é sofrer por, gastar por e ostentar um identidade que nunca será sua.

Maluquice é permanecer refém da sociedade medíocre, opressora e racista, que continua dizendo – e é só fazer o teste do pescoço para confirmar – que nosso cabelo crespo/cacheado é feio e ruim.

Maluquice é não curtir a chuva, ter vergonha do cabelo na praia/piscina, submeter-se àquele processo cruel e fedorento da progressiva.

O que eu estou fazendo é deixando de ser maluca e indo ao encontro, apaixonado e sincero, da minha FELICINDENTIDADE. =D

Update: Escrevi esse post antes de fazer o big chop, mas aí está meu cabelinho 3 meses depois do BC (que fiz na Clínica dos Cachos em SP e pretendo escrever sobre depois ;P)

Ge2015

O negócio tá começando a ficar BOM \o/

Links de blogs/canais que me ajudaram a chegar aqui:

http://blogueirasnegras.org/

http://cacheia.com/

http://www.rayzanicacio.com/

https://www.youtube.com/user/blzinterior

https://www.youtube.com/user/veganmariii

Branquitude

A mãe o encontrou mergulhado na bacia de água sanitária. Desesperada, tratou logo de puxá-lo de qualquer jeito para fora d’água. Foi difícil.
O garoto esperneava, chorava e se jogava de novo e de novo na bacia, reclamando aos gritos que ainda não dera tempo de ficar branco e limpo como tinha prometido aos ídolos mirins da escola.