De quando encrespei

Originalmente escrito em Março/2017

Eu tinha onze anos e só queria usar o cabelo solto. Passava da hora da neguinha do cabelo duro abandonar as trancinhas.

Foi minha madrinha que me apresentou o produto. Lembro do cheiro ardido, da embalagem com as crianças negras felizes e do meu couro cabelo queimando. Quando olhei no espelho pela primeira vez e vi os fios retos, me senti a criança mais adulta e bonita do mundo.

Sagrado cabelo. Não cabia intimidade, não cabia toque. Não mete a mão que senão arma. Volume e frizz não pode.

Todo trimestre era a mesma coisa. Prepara a pasta, dois dedos da raiz, puxa bastante, é 15 minutos mas deixa 30, que fica melhor. Que fica maior. Que fica mais solto. Que fica mais leve. Que fica mais…. Fraco.

“Se continuar assim vai ficar careca”.  

Treze anos depois e a gente desperta. Pra cor, raiz, origem. E planta tudo de novo.

Química não é bem-vinda frente à natureza. Deixa que cresça! Deixa que enrole, deixe que falem. Encrespa. Todo começo é um embaraço.

“Oxente, depois de grande quer o cabelo ruim!”.

Aprendi a fechar os ouvidos e abrir a boca. Nasci assim e pronto. Nem vem vocês com esse papo de louca, que eu não compro. Nem ele, nem o alisante.

Agora pode tocar, bagunçar, fazer carinho. Não precisa mais dar jeitinho, de todo o jeito é lindo. De todo jeito eu gosto.

A gente sofre para que nunca esqueça como é ser livre.

Lixos de uma quase sexta-feira

Faz tempo que eu não tenho tempo.

E o pouco tempo que me sobrou nesse final de quinta-feira eu estou usando pra falar de algo que não interessa nem a você, e acho que nem a mim.

Algo que eu nem sei o que é, e que só escrevo pelo prazer do barulhinho das teclas no ecoando pelo quarto, junto com o zum zum zum do meu cooler.

Há tanto para dizer e tão pouco pra escrever. Só coisas assim: sem muito sentido, como essa frase.

Insisto em continuar com o barulhinho:

Posso dizer que moro há 13 anos num bairro que, finalmente, foi asfaltado hoje. (Que vergonha, Brasil!)

Hoje a noite estava absurdamente linda e isso, infelizmente, não combinava nem um pouco com o meu humor cansado.

Estou cansada de usar aparelho.

Ando reclamando tanto para mim mesma sobre todas as coisas, que já não me agüento. Nessas que eu realmente desejo ser Bipolar, como os outros costumam dizer que sou.

Nos últimos dias, cogitei a possibilidade de usar salto, hipótese que foi temporariamente descartada, já que isso não só aumenta o meu potencial de desequilíbrio, mas também não acrescenta nada no meu andar deselegante.

Antes de ligar o computador para escrever esse post inútil, pelo menos umas 15 coisas diferentes passaram pela minha cabeça, e sumiram no segundo seguinte.

Preciso de um gravador, e isso foi a única coisa que descobri nesse bla bla bla todo, que ninguém, nem o Google Reader, quer saber. Além de, é claro, constatar que, realmente, eu não acho bacana posts autobiográficos.

PS: Já já volto com os meus minicontos.