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Um quase-melodrama sobre a amizade

Tantas pessoas já dedicaram tanto tempo de suas vidas tentando definir a amizade! Sim, isso é quase um lamento caros leitores, porque é muito, realmente muito complicado expressar em palavras, gestos, músicas, filmes, etc … a relação entre verdadeiros amigos.

Não me isento desta condição de pensadora , eu mesma já escrevi poemas para quase todos os meus amigos. É claro, nenhum deles ficou realmente bom, digo até que esta série “Poemas para Amigos” foi a pior que já fiz. Porque, mesmo que usasse as palavras mais bonitas e descrevesse belamente os momentos íntimos que tive com cada um deles, nada seria suficiente pra tratá-los com tamanha grandeza da qual eu sempre fui tratada pelos que prezo.

Lá vamos nós de novo, a caminho de mais um texto melodramático sobre a importância da amizade, a singular relação com uma pessoa que está do seu lado pra tudo e blá blá blá …
Não vamos, não.
Eu realmente ficaria horas por aqui se tivesse que falar desse assunto. Tantas águas claras e tantas tavernas, tantas fantasias e realizações e tantas outras privações eu passei, que nem mais sei o que dizer sobre isso. Isso. O ser amigo: fiéis, volúveis, rancorosos, ignorantes, amáveis, compreensivos, inteligíveis, misteriosos, instáveis e permanentes.

Tenho todos eles. E sou muito (muito mesmo), grata por isso.

Abaixo, três pensamentos sobre a amizade que eu postei no meu twitter no Dia do Amigo (20 de Julho, provável potência comercial nos próximos anos ¬¬)

No meio da noite você lembra dele, sorri com isso e volta a dormir com uma inexplicável sensação de alívio pela sua existência.

Provavelmente não vai poder te ajudar em porra nenhuma quando alguém próximo da sua família morrer, mas vai estar por ali. Óh.

É claro que vai insistir pra dormir no colchão quando for pra sua casa. Puta psicologia inversa. E de manhã ainda pisa em você.

A todos os companheiros que estão comigo hoje, que já estiveram e os que voltarão a estar ( I believe), o meu abraço-do-urso-flácido e riso escandaloso.

Gessica com ge em fotos com alguns de seus amigos . 

Estranho Lunático Fantástico

Um espírito sarcástico, um estranho lunático, um poema ático e o circo estava armado.
venham, venham conferir : a menina que roubava e-mails do consumidor fantástico!

Em sua busca incansável por novidade, a garota aproveitava toda e qualquer oportunidade. Do quê? De quê? De se dar bem em meio à insanidade.

Já vinha com detector de criatividade embutido em sua mente, passava horas a fio procurando atentamente algum texto, foto e até som que fosse diferente.

Um dia então, a menina o encontrou, numa ironia digna de Sócrates, a ousadia do homem a paralisou. O que podia, pobre menina, fazer para curar esse torpor?

Oh, grande era da tecnologia!

Num e-mail tímido e sucinto, sua admiração mostrou, e nas entrelinhas implorou: Dê a este ensejo mais sabor! E não é que funcionou?

Uma resposta ela recebeu e seu queixo em espanto cedeu. Indelicadamente audacioso, o homem se mostrou tão jeitoso, que até deu medo, o que dizia exatamente aquele e-mail…espectadores, é segredo.

Fato é que se sucedeu então nesse vai-e-vem de palavras, uma coisa que a menina nunca pensava: pôde perceber que a juventude em que estava, perdera o encanto.

Onde foi parar o tempo do casamento santo, de vestido branco e de medo infanto-juvenil que a perna faz tremer? Oh, jovens espectadores, onde está o prazer em desconhecer?

Mesmo triste com a conclusão, a menina só pode render-se então ao humor inescrupuloso do Sr. Falante, continuaria em sua busca, aventureira errante num mundo em que o até o mais chulo, e manjado (manjado?) dizer de pensamentos, era fascinante.

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Eu conheci um cara, cheio de malícia carioca e experiência de vida (é o que parece), vi nele mais que um consumidor revoltado, (foi através de um e-mail rebelde à uma filiada da Semp Toshiba que eu o achei), eu vi nele um escritor/cronista/humorista muito talentoso. Então lhe enviei um e-mail com as minhas parabenizações, ele respondeu, e aí escrevi esse .. bom, sei lá o que é isso, só pra guardar esse capítulo da minha história em algum lugar … 

Descobrimento [2]

“Quem um dia irá dizer, que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?”

Engraçado como funciona o começo de uma amizade. Chega sem pedir licença (como as borboletas quando se está amando) então vai tomando cada íntimo e cada filete de pensamento aleatório, então, quando você se dá conta, está torcendo pra aqueles seus amigos (mas já amigos?) estarem de bobeira sentados numa calçada à luz do crepúsculo.

Assim aconteceu com ela.

Enquanto vagava pelo caminho tão conhecido e comum, ela estava apenas ligeiramente consciente do lugar aonde ia. Seus pés moviam-se na direção a que estava acostumada a ir : aquela rua alegre e movimentada que era o endereço de sua mais próxima amiga. Diminuiu o passo subitamente : Pois é , nunca se sabe o que está na direção antes do derradeiro alcance do ponto.

No momento em que se aproximava deles, seu coração se enchia de um sentimento que ela havia experimentado poucas vezes : uma delas aconteceu quando ela foi finalmente aceita como “colega de mesa” daquela menina branquinha e inteligente da 2º série.

Não podendo ser diferente, juntou-se aos homens que estavam sentados na calçada em frente à casa que outrora era seu destino.

Deu-se início então ao descobrimento, mais um.

Um dos senhores, era sereno e quieto… escondido sob um sorriso tímido e inteligente, pensador.

O outro era o seu problema, o seu grande ponto de interrogação, um estranho do qual ela – subliminarmente – preferia não conhecer: de um gênio extrovertido e irrequieto (ou achava ela que era assim), fazia ele as mesmas piadas e comentários de sempre – que nunca perdiam a graça – e falava do amor como sua maior dádiva, enquanto demonstrava o seu descontentamento com o casamento,bem… um estranho com certeza.

Citava a liberdade de expressão, a fusão de pensamentos e sua total descrença para com a opinião da menina:
– Como pode a mim desconhecer, se te falo com toda clareza sobre meu ser, meu querer .. se exponho em tamanha liberdade o meu saber, se canto com toda a minha alma límpida o que vive em mim?

Ela, a garota, não tinha respostas para isto, sabia apenas que não sabia. Não via como descobrir quem realmente ele era, ou o que guardava por trás dos versos que inventava… não sentia seu íntimo apesar do gostoso conforto em que se encontrava em sua presença e não dispunha de nenhum recurso para sonda-lo, pois parecia que tudo na prisma daquele homem era o acaso, o momento, a instabilidade, senso assim: se conseguisse uma resposta para um de seus questionamentos, no dia seguinte a mesma não valeria mais.

Naquele momento, enquanto a noite brilhava no céu quente de nuvens desenhadas, ela se conformou, desistindo de buscar o “eu” do estranho que lhe fazia bem, oras, ele lhe fazia bem, já não era bom?
(…)
Nem frustração, nem pesar e nem angústia tomaram a garota aquele dia, pelo contrário: um conhecimento tinha sido somado á sua vivência: o homem muda, a mente evolui e o corpo se altera, e isso não devia ser visto com olhos pessimistas, como mais uma prova de que nunca chegaremos à solução para os problemas humanitários, a procura pela resolução é tanta… que se esquece o que quer resolver. Suas buscas de respostas para as coisas mais simples, impediam-na de apreciá-las.

Sim, leitores… o homem muda, a mente evolui e o corpo altera: isso é a valorização da alma!

Então, quando o escuro estava lá em cima, no meio da noite, meia noite, a menina fez o que não conseguia fazer normalmente há dias: dormiu.

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Aos “Irmões” , esse texto que começa como uma reflexão sobre a amizade, passa pela reflexão sobre o comportamento do homem e termina na reflexão sobre a vida.
Não há aqui, nada que alguém já não tenha pensado e escrito, mas isso não quer dizer que não vale a pena …