Estado

Diário de um golpe

Aqui onde
A mulher preta tampa
O rosto, a cor, a alma
Com base branca
Onde são quatro
Os filhos da moça
Dois descalços
Dois sem touca
Na cinza manhã fria
O orelhão ainda é
Uma ponte pra Bahia
Aqui onde
Sente como uma mocinha!
Preto não sai da linha
Que a senhora tricota
Com o cerne entristecido
Aqui onde
O homem vende espetinho
Alheio aos direitos dos bichos
E dos humanos
O chicote estrala na viela
O soco cala a boca dela
Eles invadem
Sem mandado, sem sequela
E eu sou livre
Para cobiçar o pulo
Da plataforma de ferro acobreado
Aqui onde todo dia é 64
E nada está nos trilhos.

Ela, eu, e o parabéns.

Então ela vem
De uma vez só
Muita vezes
Na rua, no quarto, enquanto olho para as paredes
Ou amarro meu turbante
Vem em forma de um cômodo vazio
De um lembrança cheia
Ou de um simples fumante
Alheio a tudo.

É súbita e aguda
Como quando a gente bate o dedo mindinho num canto
E são muitos cantos agora
E a dor não cessa nunca
Só se esconde entre risadas
E volta escancarada
Em lágrimas de saudade

Um quarto de século de vida
Três meses destituída
“Filha, deus te abençoe, muitos anos de vida”.
A dor vem
Eu engulo o seco e respondo
Para todo mundo
Obrigada, gente.

Estado

Volta

24

Os olhos dela estão arroxeados

A gaze na boca reflete a morbidez do quarto de UTI

Ela não responde, o pulmão muito menos

Ao sair de lá, ajeito o meu black power recém-assumido no espelho, como se não tivesse morrendo por dentro

24

Mesmo ofegante eu entendo o que ela pede

“Ai ai ai”

“ Me dá..”

O que, mãe?

“Vida.”

23

O ano passa tão rápido que a minha memória não tem tempo de fotografar tudo

Era o amor da minha vida ali atrás?

Era um trabalho apenas para pagar as contas ali na frente?

Era a cadeira de rodas dela emperrando ali no meio?

Era eu em algum momento?

22

Ufa!Formada.

A vida mais cada vez mais bagunçada

Só conheço o significado de três palavras:

Inércia

Angústia

Desespero

Que esse 13 acabe logo

Espero…

21

Último ano da faculdade

Aí, no ano que vem…

Mas esse ano,

AVC.

Ai.

Traição.

Ai.

TCC.

Ai.

Subo no palco do auditório com o grupo para receber o prêmio pelo trabalho. De novo: orgulho de quem eu sou?

20

Eu trabalho para uma instituição que lucra 5 bi/ano enganando pessoas e acredito que o meu TCC mudará minha vida.

19

Alô?

Oi, tia.

Não, foi mais uma convulsão.

Não sei, tia. Tô esperando o médico.

Não, não vou trabalhar hoje. Sei lá… invento uma desculpa.

18

Eu choro descontroladamente ao ganhar a bolsa

Publicidade.

De graça.

Caraca, isso vai mudar a minha vida.

Ninguém da minha família entende o orgulho.

o.v.e.l.h.a.n.e.g.r.a.

17

Adolescência, que merda.

16

Uma semana de namoro e, nossa, eu sou a garota mais feliz do mundo.

Ele diz que é apaixonado pela minha melhor amiga.

Dá pra morrer de amor?

Foco no trabalho e resto só Deus sabe.

15

Ele é o cara mais inteligente que eu já conheci. Tô apaixonada. A gente conversa sobre nanotecnologia enquanto o sereno cai e eu viajo olhando as luzes do posto de gasolina. Como será beijar um cara?

Começo a escutar rock n’ roll.

A paraninfa da turma me entrega troféu de melhor aluna do curso e eu sei que aquele é o começo da minha carreira brilhante.

14

Passo pelo dedo pela lista e meu coração dispara porque não estou entre as Jéssicas.

Ah, calma, são 3 letras pra cima.

Gessica. Correia. Borges.

Eu começo a chorar porque vou começar um curso que pode resultar no meu primeiro emprego e, quem sabe, orgulhar pra valer a minha família.

13

Álcool e outras drogas correm pelas veias do meu pai, mãe e irmão. Acho que o efeito é mais forte em mim do que neles.

12

Minha mãe não foi trabalhar hoje. Eu finjo que ela não está dormindo totalmente bêbada no quarto enquanto eu e meus amigos fazemos trabalho na sala.

Minha madrinha passa uma química no meu cabelo pra ficar mais fácil de pentear. Eu sinto menos vergonha dele agora.

11

Primeiro dia na nova escola. Não tenho uma roupa nova pra ir. Na entrada, todo mundo olha estranho pra minha calça peluda e meu cabelo crespo com chiquinhas.

Levanto a mão toda hora pra responder as perguntas da professora e, bingo, acharam a CDF da sala.

10

Na última reunião do ano, a professora diz que eu estou a frente dos colegas e jura que darei muito certo.

Mamãe está bêbada e desvia o assunto.

09

Os dois não param de gritar.

“Sua ordinária, filha da puta”

‘Seu vagabundo descarado”

Eu tento gritar mais alto pedindo pra eles pararem. Ninguém me escuta nessa casa. Subo pra laje pra chorar sozinha.

08

Ela não conseguiu levantar pra ir à primeira reunião do ano na escola e eu encontro camisinhas na mala do meu pai, mas eles já não estão juntos há anos.

07

Uns caras vieram aqui no portão hoje cobrar os cheques sem fundo que meu irmão passou pra usar droga.

Minha mãe me carrega pela mão pelas ruas do bairro, acho que está procurando ele, mas não entendo direito.

07

Primeiro mês da primeira série e a professora me transfere pra segunda série, porque eu acabo as tarefas muito rápido e durmo o resto da aula.

Na sala, um menino branco me alopra todos os dias: pela minha idade, pela minha cor, pelo meu cabelo desgrenhado, pelos meus dentes tortos e orelha de abano. Ainda bem que eu achei um canto pra ficar sozinha às vezes.

A escola não tem uniforme, mas eu tenho. É a única roupa nova do ano.

06

Fizeram uma festinha de aniversário pra mim. Na hora do parabéns eu escondo o rosto pra chorar porque tô com vergonha dos meus pais, que estão muito bêbados.

05

Ele me parou no corredor e me abraçou de um jeito estranho. Senti sua mão correr por uma parte que eu sabia que não era permitida e saí correndo. Nunca vou falar disso com ninguém.

04

Minha mãe tá me carregando pelo colo e andando apressado em direção à avenida escura. Acho que meu pai chegou louco em casa.

03

02

01

0

44 anos? Grávida?

Rute, Rute … você precisa parar de fumar.

Essa menina já é um milagre.

Nota

E não sou a causa dessa cicatriz

Nem vem

Que não tem

Eu não tenho culpa se não és feliz

Eu não sou a culpa da tua desculpa

Escuta,

Não existe multa

Pra direção escolhida.

E se sofre,

E se alegra,

E se irrita,

Eu não sou a causa da sua birita.

E a sua alma

Tão viva

Aplástica

Açoitada

Eu não produzi

Veio de fábrica.

Assimetria

Foto by Bukowski
Eu odeio o amor
E em nada tema ver contigo
Com o beijo denegado
Ou o abraço repelido
Eu odeio o amor
E em nada diz respeito às suas noites
Que em nada tiveram a ver comigo
Zero atribuído a você
Que venera o desconhecido
Tanto quanto eu queria que me desejasse
Eu odeio o amor
E nada você poderia fazer
Senão me desse você
Se não me abominasse.

Coração Assombrado

Se em uma divagação
Vagar o meu coração
Para um lugar onde
Você não tenha aparecido
Palpita o meu peito espavorido.
Quando a minha razão
Corrompe-se em confusão
E perde a competição
Para o meu ouvido
Segue meu coração reduzido
Às sombras da comoção.
Se eu não tenho você
Nem para vir
Nem para ver
Nem para saber
Que um dia eu tenha tido
Sigo a vida sem sentido
Sigo um rumo amedrontado
Sigo ser ter estado

 

Imobilizo. 

Mãos

Macias e quentes
Descem e sobem
Confabulam, apertam
Enrolam-se
Como serpentes ao som de uma flauta
Provocam uma febre alta
Ignoram a pauta
Do que é moral ou certo
Vão chegando mais perto
Do objetivo incerto
Que é o prazer.

Enérgicas e diligentes
Crescem e diminuem
Escondem-se, surpreendem, diluem
Como uma corrente d’água doce
Que pelo corpo passeia
Sem o menor pudor novelístico
O propósito?
Tornar real o místico.

Sem emulações
Negociações ou neuras
Tocam o que quiserem
E fazem em terra o milagre
De viver nas estrelas.

A Ruminante

Bocejo.

Os olhos caídos, cansados

Olhando pro nada,

Prum pasto?

Só pasto, nessa vida dura.

Bocejo,

Dói a mandíbula de tanto abrir a boca.

Depois mastigo sei lá o quê,

Com som de mnham mnham mnham.

Bocejo.

Mastigo.

Desisto.

Engulo.

É mesmo, até pareço uma vaca.

 

Estranhamento

Mais um delírio literário que volta no tempo, que tenta entender o que é esse tal negócio de “crescer”. Dizem que uma hora isso para, mas eu acho que vamos ter que crescer até quando já formos velhos, porque algumas coisas são eternamente incompreensíveis, até para a suposta maturidade.

Então, sem mais delongas e viagens, o poema abaixo trata:

  • Do garoto cauteloso, ao homem ousado.
  • Da garota romântica, que não mudou de lado.
  • Das mudanças óbvias do que um dia foi o primeiro amor vivido.
  • Da vida, crescida, que não faz sentido.

 __

 Há anos, estranhei sua paciência.

Donde vem tanta presença e companheirismo?

Nessa minha vida que só fazia rodar, sem lirismo algum.

Há meses, estranhei seu estilo

Donde vem esse cabelo da moda e essa calça descolada?

Achei que tu era tu, e mais nada.

Há dias, estranhei seu humor.

Donde vem essa alegria espontânea, gritando a necessidade de sorrir?

Você, que a cada noite calada parecia ruir.

Há horas, estranhei seu olhar.

Donde vem essa coragem para elogiar a garota?

Na testa, do suor, nenhuma gota.

Há minutos, estranhei sua liberdade.

Donde vem essa verdade estampada no rosto?

Onde está a vergonha, seu moço?

Outrora escondida nos versos angustiados

Agora estampada nos olhares falados

Que nem sei como interpretar.

Em segundos, estranhei tu, estranhei a mim.

Sem saber se sentia assado, se sentia assim,

Sobre o que, agora, tu é.
Donde vem esse deslocamento, essa perdição de sentimento, que não sei onde colocar?

Desconhecendo tu,

Acreditando em mim.

Sempre achei que ia ser assim,

No fim,

Uma desconexão rebelde entre nós

Fruto de uma confusão inerte dos nós

Do primeiro amor.

Denúncia

À tinta, às pessoas insensatas e aos bêbados, permanecia.

Dura como ferro, apesar de acabada.

(coitada!)

A beleza há tempos já não era a mesma:

O rosto desbotado e humilhado,

O tronco envergado pelo tempo

E pelo vento?

Ah, o tempo!

Sempre tão inconstante e cruel

De repente, escurecia e o céu e aí, haja força!

O sopro furioso da Coisa

Que balançava as estruturas

(por isso a envergadura!)

Por isso a descompostura.

Já sem identidade,

Borrada pela liberdade de expressão

(mas e a educação?)

Não existia.

Só tinha a total falta de respeito

Pela velha placa

Fixada na avenida, esquecida pelos carros indo e vindo

A tudo e a todos resistindo,

Ironicamente implacável.

 

Horizonte

Um dia, eis que acharei um canto para a dor,

Há de haver um porto para tanto amor

Que me traz você, assim…faceiro.

Você, que me mata aos poucos de fervor e agonia

Esgotando-me num suor frio e delirante

Percorrendo meu corpo com essas mãos macias

Braços sadios, pernas falantes.

Esse sussurrar de poesias,

Com um sorriso quente, que derrete a alma.

Ah, um dia, hei de respirar essa sua calma

Tão segura de si.

Um dia, hei de te abraçar sem estremecer

Hei de te olhar sem enrubescer

Poderei falar, sem falhar, que te amei.

Ah! Um dia,

Emanciparei dessa fantasia.

A Proposta

— Casar?
— Casar.
— Só com casa.
— Casa?
— Pra casar.
— Se casar, vai coser?
— Casualmente.
— Sua coisa..
— Coisa?
— …
— Assim não caso.
— Ah…!. casa…?
— Caso. Se..
— Que coisa?
— A casa.
— Cozinhar?
— Caso sério…
— Cacete! Coisa nenhuma?
— Uma coisa.
— ?
— C*
— Casaremos.
— Com casa?
— Com tudo!

Você conhece o Profeta Gentileza?

Quase ninguém sabe, mas existiu um homem brasileiro que profetizava gentileza. E de graça!
Não, não tem nada a ver com Inri Christi. ( ¬¬)
Sim, ele provavelmente era maluco.
Deixou de lado a administração de uma empresa de distribuição e, depois de ter ouvido uma “mensagem divina”, ajudou vítimas de um circo que pegou fogo em Niterói – RJ e saiu por aí falando de harmonia e amor.Vai entender!
Conheci o cara numa música da Marisa Monte, “Gentileza” ( para ver no youtube, clique aqui), e quando percebi… já estava envolvida na história dele.

É bacana de ler e bacana de divulgar. E estou nos meus melhores dias hare krishna (o.O) então lá vai: ( ops, isso é meio pejorativo :P)

Site: http://www.gentileza.net/

Poema que fiz para um trabalho e para o meu baralho de sentimentos:

___

Você conhece o profeta Gentileza?
Imagino que não,
Quão importante é pra nação um velho perene,
Que prega a nobreza de uma sociedade ensimesmada?
Brevemente,
Conto agora a história
Deste missionário valente.

De empresário a cavaleiro andante.
Contemporâneo da paz,
Ele foi.

Nos anos 60,
Ao fogo um circo cedeu
Num gesto mágico ,
Um coração distinto compadeceu.
Deu-se o início
De uma missão
Pela gentileza.
Disseminando pureza
Numa empreitada audaz se compôs
De amor e nobreza
Munido apenas de tinta e palavras
Facilmente apagadas,
Pela borracha do poder.

Teve de renascer, dia após dia.
Para profetizar a simplicidade
De um m sorriso espalhar,
Um elogio falar,
Um direito respeitar.
Ajudar,
Regar,
Reavivar
Resgatar,
O que é nosso por instinto,
Que num gesto sucinto
Pode alegria gerar.

E na multidão de gente condicionada, ao nada,
Na Central do Brasil,
De um estandarte
A frase partia
Nas mãos do senil :
Gentileza gera Gentileza. 

O que realmente importa?

Apesar do título aparentemente “polêmico” o poema abaixo não trata de nada político, também não diria que social.
Na verdade, não sei do que o poema abaixo se trata, já que foi escrito em 10 minutos numa sala de aula muito barulhenta. Eu tinha 16 anos e estava realmente entediada com a aula, aí peguei um papel qualquer e fui “telepatiando” o que vinha na cabeça.
Saiu isso aí.

______

O que realmente importa?
A beleza meio morta?
Ela entra em sua porta?
Ela chove na sua horta?

O que realmente importa?
A paixão incandescente?
O que o seu coração sente?
Quem você quer de presente?

O que realmente importa?
Você está apaixonado?
Pela vida ou por um lado?
Só o lado comentado …

Quem te invade a porta?
A beleza de não ser morta?
A alegria mórbida?
O conformismo importa?

O que é ser belo?
O cabelo?
O camelo?
Seu espelho te reconhece?
Me confessa a sua prece!

O pé feio
Nariz no meio
Da cara murcha
Parece a Xuxa
Cara de bruxa!

A Keka
A Cuca
A Luka
“To nem aí!”

O que realmente importa?
Você não me suporta?
Eu passo na sua porta?
Eu nasço na sua horta?

Cara de cú
Bunda de cara
Torta na cara!
A cara torta …

O que realmente importa?
O meu conceito?
O seu direito?
Você não gosta?
Cianureto.

Sumida

Sei não.
Uns diziam que havia piorado, mas do quê?
De sua dor fingida?
Acho que não!
Desconfio até que a pobre era frígida.

Sei não.
Alguns cogitavam sua morte
Será?
Ora, que infortúnia sorte a da estranha menina!
Mas, sei não.
Só deve ter seguido a composição línea
Que tecia sua vida esquina após esquina…
Bar após bar
Chão após chão
Sei não.
Só a vi saindo às escuras, já sem coração.

__

Uma semaninha sumida daqui: trabalhos e provas e gripe, muita gripe.
Mas estou voltando … voltando … 😀

Sou

Resgatando mais um poema da poeira nos meus papéis …
_

Nada mais que a importância
Dessa insignificância
Que recobre o meu ser
Sou o não entender nada
Disso que vive em mim

Essa pele que reveste
Este corpo que me assola
Nessa mente que vigora
No espírito que outrora
Não foi de ninguém

Esse rosto que abriga
Esses olhos que envoltam
Essa íris distorcida
Dessa visão distinta
Do nada que nunca foi

Essas mãos desesperadas
Nessa busca retratada
Nesses versos sufocantes
Essas voltas tão errantes
Que descobrem-se amantes
Da matéria esquisita: Eu.

Sou o que fui, e o que serei
Mas nunca o que já sou
Nesse contrato vitalício
Dessa mutante arte de redescobrir-me
É que se encaixa a minha existência

Essa sou.

Escrito em 15/07/2008 ( 14:58pm)

Lúgubre Grifo

O que te leva a insistir no que te angustia e de mim te priva?
Diz-me, amada querida, o que te faz preferir morrer à deriva?
Onde se esconde o desejo outrora tão encarnado?
Ainda existe a beleza por trás do vaso quebrado, eu sei que existe.

Sufocando a saudade no torpor do caminho.
Esganando a verdade no coração sozinho.

Onde arrumaste esta corda que só faz machucar, minha amada?
O pouco tempo que tens só está a passar, e tu marcada.
Cicatrizes não podem ser apagadas, mas pegadas podem se aliviar
O sentimento não morre enquanto se quer lutar.

O que te faz perder o que te faz amar?
Como encontrar coragem onde o vazio está?

Perdeu o jeito de se renovar, amor meu?
Mais uma vez, tarde demais? Eu sou seu.
Peço-te: não se engane e nem fuja menina.
Acasos não determinam uma sina.

Invalidez induzida na estrada comprida.
Morte poética na métrica da vida.

_________

“Há entendimentos longe de nossas explicações
Há explicações longe de nossos entendimentos”¹
¹ Sir Raphael Trevilato

Enigma Esquecido

Uma palavra linda
Uma palavra fácil
Uma palavra simples,
Porém quase irrealizável.

Em três letras ela está,
Em uma sílaba ela se forma
E o mundo não consegue realizá-la.

Numa pomba ela é simbolizada
No branco ela é lembrada
E o mundo não consegue realizá-la.

Ela é pequena, porém essencial,
Ela é grande, ela é forte!?
E o mundo não consegue realizá-la.

Temos a letra P
Temos a letra A
Temos a letra Z
Mas, cadê você?

Desde o início dos tempos você sumiu,
E a partir daí, o mundo esqueceu de ti.

__
Esse poema, eu escrevi no ano e mês em que “começou” a guerra entre EUA e Iraque, estava na 6º série e lembro que o assunto foi tema pra um bimestre inteiro de aula. Um saco na época. Ele é um Enigma Esquecido por dois motivos: primeiro porque ele não tinha nome, dei-o agora porque tinha até esquecido que ele existia, e segundo porque, sobre o que ele trata, muitos nem sequer têm guardado na lembrança..
Março/2003

Poema – Para o primeiro amor.

Não sei o que estou escrevendo
Não sei nem mesmo o que estou dizendo
Acho que estou dando um aperitivo ao meu coração
Que está cada vez mais te querendo

Ele grita te chamando
E palpita o tempo inteiro
Me sinto como uma agulha
Perdida num estaleiro

Pego o telefone e te ligo, sem te dizer meu nome.
Procuro algo, um motivo
Pra saciar minha fome.

A fome não é de alimento
A fome não tem sabor
A fome que eu sinto agora,
É a fome do teu amor.

Você não sabe mais quem sou
Só sabe que eu era a sua vizinha
Queria tanto que você se lembrasse das mil e uma cartinhas
Que eu jogava na sua garagem
Todo dia de manhãzinha

Nelas, frases de amor eu escrevia
Na esperança de que você lesse um dia
De que você conseguisse compreender
A intensidade da minha agonia,
De ter só um pouquinho de você.

De sentir ao menos uma vez,
Essa sua boca linda,
Esperando, sempre, que um dia você abrisse os braços e dissesse:
“Gé seja bem vinda!
… seja bem vinda ao meu coração,
À vitória da sua paixão!”

Quem acredita sempre alcança
Quem acredita nunca cansa, nunca desiste,
Porque o amor (Fernando) é a melhor coisa que existe!

___

Poema feito para o meu “1° amor ” que durou uns 3 anos ( absurdo!) , eu tinha apenas uns 6/7 anos quando me dei conta que minhas pernas não me obedeciam quando eu o via ¬¬
O desfecho desse caso foi …. bem, só de eu ter escrito o poema quando já estava com 11 anos .. isso diz tudo. O Amor é triste. Pois é, pois é.
P.S.: Medo da meu próprio sentimento o.O , isso é possível sendo tão pequena ? Eu ein ! 😛