Assimetria

Foto by Bukowski
Eu odeio o amor
E em nada tema ver contigo
Com o beijo denegado
Ou o abraço repelido
Eu odeio o amor
E em nada diz respeito às suas noites
Que em nada tiveram a ver comigo
Zero atribuído a você
Que venera o desconhecido
Tanto quanto eu queria que me desejasse
Eu odeio o amor
E nada você poderia fazer
Senão me desse você
Se não me abominasse.

Palhaçada, marmelada e muito mais

Hoje é o Dia Mundial do Teatro e do Circo.

Para comemorar, ontem rolou no Theatro Municipal de São Paulo um espetáculo incrível. Mas, como não poderia deixar de ser em um evento “público”, também rolou muita palhaçada e marmelada.


Basicamente, a Prefeitura de São Paulo divulgou o evento, que aconteceria às 20h, prometendo a distribuição de ingressos lá na entrada uma hora antes do início. Às 18h supostamente já não tinha mais ingresso, e só umas mil pessoas estavam aglomerando na Praça Ramos de Azevedo. Muitas madames, assessores e amigos políticos tinham acesso livre. Maravilha.


Resumindo, às 20h45, depois de muita confusão, gritaria e protesto, finalmente alguns dos pobres mortais que estavam lá esperando há quase 3 horas conseguiram entrar.

Foi minha primeira vez naquele lugar e óbvio que fiquei me perguntando: por que não tinha vindo aqui antes?

Status: adentrando o Theatro pela primeira vez depois de horas na fila.
Os tapetes e cortinas de veludo, a arquitetura gigantesca e cheia de detalhes, e eu quase me senti na Semana de 22. Encantador.

O espetáculo foi uma junção de circo e poesia, reunindo vários dos maiores nomes entre palhaços, acrobatas, trapezistas e outros artistas que garantiram muitas risadas e engajamento do público (no meu caso, também algumas lágrimas).

Resumindo a experiência, o Theatro deveria entrar para lista dos “500 Lugares para Visitar Antes de Morrer”, é só torcer para que você não tenha que depender da Prefeitura para conseguir entrar, claro.

Miniconto 140* – Luto

A fumaça do cigarro bagunçava a visão e causava uma inebrie relaxante.
Pensou nas crianças no sofá, no cachorro fungando no quintal, nas flores decorando o canto da sala e, claro, naquela filha da puta da Rita que tinha ido embora na noite anterior e tornado tudo aquilo um peso demasiado fúnebre pra carregar.