Mãos

Macias e quentes
Descem e sobem
Confabulam, apertam
Enrolam-se
Como serpentes ao som de uma flauta
Provocam uma febre alta
Ignoram a pauta
Do que é moral ou certo
Vão chegando mais perto
Do objetivo incerto
Que é o prazer.

Enérgicas e diligentes
Crescem e diminuem
Escondem-se, surpreendem, diluem
Como uma corrente d’água doce
Que pelo corpo passeia
Sem o menor pudor novelístico
O propósito?
Tornar real o místico.

Sem emulações
Negociações ou neuras
Tocam o que quiserem
E fazem em terra o milagre
De viver nas estrelas.

3 thoughts on “Mãos

  1. Anônimo says:

    Se você tiver namorado, ele que me perdoe: Esse é um dos poemas mais eróticos que já li. Sortudo aquele pra quem é direcionado. Após uma meia hora de leitura já virei seu fã, você escreve há muito tempo?

  2. Aposto que meu namorado deve ter ficado feliz quando soube que esse era direcionado a ele. Você não acha?

    Escrevo desde que entrei na adolescência, mas sempre foi muito mais desabafo do que arte 🙂

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