Lixos de uma quase sexta-feira

Faz tempo que eu não tenho tempo.

E o pouco tempo que me sobrou nesse final de quinta-feira eu estou usando pra falar de algo que não interessa nem a você, e acho que nem a mim.

Algo que eu nem sei o que é, e que só escrevo pelo prazer do barulhinho das teclas no ecoando pelo quarto, junto com o zum zum zum do meu cooler.

Há tanto para dizer e tão pouco pra escrever. Só coisas assim: sem muito sentido, como essa frase.

Insisto em continuar com o barulhinho:

Posso dizer que moro há 13 anos num bairro que, finalmente, foi asfaltado hoje. (Que vergonha, Brasil!)

Hoje a noite estava absurdamente linda e isso, infelizmente, não combinava nem um pouco com o meu humor cansado.

Estou cansada de usar aparelho.

Ando reclamando tanto para mim mesma sobre todas as coisas, que já não me agüento. Nessas que eu realmente desejo ser Bipolar, como os outros costumam dizer que sou.

Nos últimos dias, cogitei a possibilidade de usar salto, hipótese que foi temporariamente descartada, já que isso não só aumenta o meu potencial de desequilíbrio, mas também não acrescenta nada no meu andar deselegante.

Antes de ligar o computador para escrever esse post inútil, pelo menos umas 15 coisas diferentes passaram pela minha cabeça, e sumiram no segundo seguinte.

Preciso de um gravador, e isso foi a única coisa que descobri nesse bla bla bla todo, que ninguém, nem o Google Reader, quer saber. Além de, é claro, constatar que, realmente, eu não acho bacana posts autobiográficos.

PS: Já já volto com os meus minicontos.

Domingo de Páscoa

Assim que ela fechou os olhos, ele trouxe a caixa à frente do corpo, ajeitou um sorriso superbranco no rosto e disse :
— P… pode olhar.
A primeira coisa que ela viu foi o contraste da embalagem com a pele escura do cavalheiro, depois seu olhar contente. Pulou no pescoço dele, com um entusiasmo inocente.
Antes mesmo de devorar o conteúdo da caixa, ainda empolgada com o acontecimento, decidiu tatuar o vício antigo e o novo: um chocolate branco ao lado do rosto do Marcelo Negão.
Ficou lindo na pele.
Na volta para a casa, contando os minutos para o encontro com o presente, começou a ler as recomendações de cuidados para a nova tattoo.
A segunda linha saltou aos olhos e afundou o estômago:
“Não ingerir: alimentos derivados do cacau.”
Era domingo de Páscoa.