O que a gente faz?

E quando a gente fica assim, como se diz? sentimental demais? Não, eu devo ser menos poética: e quando a gente fica assim..idiota? Sim sim … aqueles velhos sintomas: escutar a mesma música melódica por horas seguidas (que te faz chorar no refrão), tentar escrever algo que alivie o que você sente (na esperança de que alguém leia e sinta o mínimo de compaixão por você [ohh, que triste!]), ou só ficar de olhos fechados olhando pro escuro psicodélico.. forçando releases dos momentos mais marcantes da sua vida.

E quando a gente fica assim …idiota? O que a gente faz?Esquecemos o conteúdo intelectual que temos e fazemos joguinhos com as palavras e dizemos nas entrelinhas o que (obviamente) só nós iremos entender?

E quando a gente fica assim, idiota, pra quem a gente escreve, Idiota?

Talvez eu tenha descoberto a utilidade de uma personalidade dupla: suportar a agonia, desesperança e ilusão de nós mesmos, nesses dias que a gente fica assim..idiota.

Quem fica?

Idiota! Você fica. Você quem? Eu? Quem de mim sou eu? Quem de mim sou eu AGORA?
No final das contas, o diálogo entre eu e eu mesma não é apenas um monólogo? Sozinha …

Nem o maior romancista do universo poderia considerar esse texto uma discussão filosófica.
Até o mais ignorante dos seres identifica aqui, nessas linhas tortas e inelegíveis, o que é (foi e vai ser) a maior frustração humana. Afinal, quem não ama?

Wergeland, Novalis e Goethe me entenderiam. Estou certa de que mais do que qualquer um dos meus “Eus”.

“Se o cérebro humano fosse tão simples a ponto de conseguirmos entende-lo, seriamos tão idiotas que não conseguiríamos entende-lo” Jostein Gaarder em O mundo de Sofia.